sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Rural e urbano

Sob o signo do grande rio do Sul vamos de Castro Marim até Afonso Vicente. Lado a lado com o Rio Guadiana, deambulamos por entre salinas, sapais, montes e vales, barragens, ribeiras e ancoradouros. Numa paisagem em que o rio assoma a cada curva, a flora e a fauna reafirmam que se está bem por ali. São as praias fluviais, as artes da pesca, os ensopados de enguias, a apetitosa lampreia. O rio está por perto e sempre amigo. São sinais de labuta simples, a cestaria em cana, as rendas de bilros, as miniaturas em madeira. Seguimos ao encontro de vestígios milenares de ocupação humana, desde o Neolítico à época fenícia, romana ou árabe. Castelos, muralhas, torreões circulares e torres quadrangulares. E o prazer da descoberta da arquitectura rural à entrada de cada povoação... os fornos comunitários, arramadas e palheiros.»


O texto que acima reproduzimos, do sítio visitalgarve.pt, dentro de anos poderá ser a seguinte redacção:


2015 - Trajectos PolisXXI do Guadiana ao Nordeste

Sob o signo do grande rio do Sul vamos de Castro Marim até Afonso Vicente ao longo da Rede Urbana do Baixo Guadiana.
Lado a lado com o Rio Guadiana, circulamos rapidamente pela nova via rápida de quatro faixas de rodagem por entre campos de golfe, apart-hotéis, condomínios fechados, restaurantes e bares, estações de tratamento de águas residuais, regatos, portos de recreio, ancoradouros privados, sem esquecer as imprescindíveis estações de serviço que nos permitem abastecer as viaturas, descansar e comer uma refeição rápida.
Numa paisagem em que com alguma boa vontade é possível ver o rio assomar a cada curva, entre o branco dos aldeamentos turísticos que formam uma muralha ao longo da margem direita do Guadiana, o verde-relva dos inúmeros campos de golfe mostra como é possível transformar um espaço rural antes abandonado e vítima da desertificação humana em áreas turísticas modernas e desenvolvidas.
A flora e a fauna tradicionais podem ser vistas no museu de Guerreiros do Rio, situado no lado norte da marina daquela localidade. No lado sul é inadiável uma visita ao Museu de Figuras de Cera onde os quatro Polis-Presidentes são reproduzidos em tamanho natural a assinar o contrato que trouxe o progresso ao Baixo Guadiana. O ar feliz e satisfeito dos autarcas reafirma que se está bem por ali.
São as piscinas, as artes da pesca, os ensopados de mujem, o apetitoso salmão importado em embalagens certificadas pela ASAE. O rio está por perto e há sempre amigos a navegar em cruzeiro ou nas inúmeras embarcações que sobem e descem o rio carregados de turistas sedentos e barulhentos.
São sinais de labuta contínua, as gruas em movimento, os camiões do cimento, as movimentações de terras, as procissões de veículos pesados que diariamente alimentam de bens de consumo este novo Algarve até há poucos anos esquecido.
Numa breve visita, se houver tempo para tal, seguimos ao encontro de vestígios milenares de ocupação humana, desde o Neolítico à época fenícia, romana ou árabe. Castelos, muralhas, torreões circulares e torres quadrangulares provam que esta foi uma região sempre habitada e que sofreu as investidas de povos e gentes de toda a Europa.
Finalmente, a cada passo, o prazer da descoberta da arquitectura dos grandes ateliers, uma arquitectura consagrada, de renome, de assinatura, convenientemente assinalada à entrada de cada aldeamento.

2 comentários:

Anónimo disse...

no ano de 2030 será um colunato de chineses

Susete Evaristo disse...

!!! Eu que sou agnóstica, perante tamanho crime só posso gritar bem alto deus nos guie, guarde e nos proteja. Eu sou de Serpa.